Interview – Alix Verley Pietrafesa, da Alix of Bohemia

1. Curadora de arte de dia, designer à noite. Nos fale sobre sua história na arte e como ela inspirou você a se tornar uma designer.

A verdade é que eu realmente resisti a ser uma artista. Eu tinha uma noção preconcebida de que deria ser uma profissional em alguma coisa. Eu sempre fui inclinada à arte, mas por alguma razão masoquista me torturei em um trabalho que imaginei ser mais impressionante do que o caminho criativo. Como eu fui ingênua! Sentar em uma mesa dia após dia me fazia sentir como se estivesse morrendo. Eu ia pra casa e costurava roupas. Fazer roupas era prático, e a melhor maneira de compartilhar minha estética – todo mundo tem que se vestir, mas você não pode carregar suas pinturas nas costas para expressar quem você é. As pessoas eram muito receptivas às coisas que eu vestia. Era tão claro que eu estava sendo empurrada em direção ao design, e em um certo ponto, eu desisti e me comprometi completamente ao Bohemia. Eu também não gostava da palavra “designer” – parecia tão um termo tão trashy, então tentei ser diferente. Eu queria fazer coisas, não apenas desenhá-las, então eu aprendi e persisti. Eu entendi que eu experencio o mundo de uma forma física, com minhas mãos, pelo processo e criação. Uma coisa é clara – eu não escolhi esse caminho, apenas chegou um momento que fazer qualquer outra coisa parecia uma mentira.

 

2. Como você define estilo?

É clichê, mas para mim, estilo não é realmente sobre o que você está vestindo, mas o quanto está confortável em sua própria pele. Eu gosto de dizer sobre a mulher da Bohemia: “não importa o que você pense, ela está se divertindo”. É tudo sobre confiança. Eu sempre me atraio mais por pessoas vestindo botas e uma camiseta e um cabelo bagunçado e um sorriso que sabe exatamente quem ela é, do que uma menina em sapatos caros e unhas perfeitas e tudo isso – esqueça! Isso não é interessante e nem original pra mim. No fim do dia, não é sobre polimento, é sobre essência.

 

3. O que você acha que faz Alix of Bohemia tão diferente de outras marcas únicas?

É definitivamente mais bagunçado. Eu crio no chão, e desenho enquanto vou. Eu compartilho esse processo com meu público, e não é glamuroso, mas é autêntico. Eu acho que as pessoas sentem as emoções e histórias que eu coloco em pedaços e conectam com o lado humano do meu trabalho, a vitalidade bagunçada disso tudo. Eu nunca fiz um PR, então tenho sorte que as pessoas que se conectam com meu trabalho realmente entendem a história por trás e não querem colocar em uma embalagem mais brilhante e profissional. Eu também acho que meu trabalho é divertido, eu não levo a moda a sério, tem que ser alegre. Eu acho que mais e mais pessoas estão sentindo isso.

 

4. Aonde você vai para se inspirar?

Normalmente eu não estou buscando por inspiração, eu prefiro deixar os materiais me informarem. Se estou trabalhando com um tecido antigo, eu tento não pensar demais e faço meu melhor para deixar em destaque a beleza da peça. Minha memória inconsciente tem um papel muito forte. É engraçado, meu pai veio ver eu apresentar minha última coleção, e ele estava apontando como minhas peças eram parecidas com o que tinha em meu guarda-roupa de criança! Dizendo isso, eu realmente gosto de me perder em estudar e pesquisar Otomi Quilts ou apliques e bordado ucraniano e os vestuários das Índias. Tanta coisa me inspira, que se eu olhar muito, minha mente fica confusa e meu trabalho fica muito espalhafatoso – dias perdidos costurando laços, por exemplo, o suficiente para me deixarem louca! Eu tento não me perder nesses processos, mas normalmente sinto que está além do meu controle – as peças começam a criar suas próprias vidas. Se eu estou fazendo algo customizado para um cliente, eu gosto de me conectar com a pessoa enquanto estou criando algo especial para ela. Ou, às vezes, eu estou criando egoisticamente coisas que eu quero vestir.

 

5. Pai italiano, mãe francesa e ambos na indústria criativa. Eles te ajudam (ou ajudaram) de alguma forma durante o processo criativo de suas roupas?

Meus pais foram e ainda são uma grande influência na Bohemia. Minha mãe trabalha com cerâmica; eu cresci sentando em seus pés enquanto ela jogava grandes formas na roda. Ela realmente personificou o caminho do artista – tudo que ela tocava se tornava lindo – a forma que ela cozinhava o jantar e arrumava a comida no prato, a forma que ela misturava jóias africanas com braceletes de ouro, a maneira como ela escrevia cartas, por exemplo. Constantemente nós estávamos fazendo projetos juntas e aprendendo, e ela me ensinou como improvisar. Meu pai é de uma herança têxtil de 10 gerações, e ele era e ainda é um sartorialista sublime. Eu cobiçava suas chaves e os quadrados coloridos que ele guardava no bolso e o pequeno broche de penas em sua lapela. Quando eu tinha 10 anos, ele me levou a Chanel e me mostrou uma jaqueta, com apliques incríveis de margaridas. É tão forte em minha memória – eu nunca tinha visto uma jaqueta como aquela. Eu também dou crédito aos meus pais por nunca terem me pressionado a ser uma profissional trabalhando em uma mesa de trabalho (eu que coloquei essa pressão em mim mesma!), de fato, eu acho que ambos celebraram quando eu me comprometi com a Bohemia e me dei conta de meu chamado criativo. Eu brinco, às vezes, que Bohemia é um negócio de família, porque eu me apoio nos dois para o feedback deles. Minha mãe é a modelo perfeita e sempre encontra os melhores tecidos e combinações de cores. Eu tenho pais muito românticos.

 

6. Seu studio se mudará para Gowanus em BK. Essa é a nova área dos artistas?

Eu não tenho ideia se é o “novo” lugar para os artistas (eu não sou muito boa em ficar ligada nas tendências!), mas estou muito animada com minha nova casa. Costumava ser uma fábrica de malas e tem janelas enormes e incríveis e tetos bem altos. Eu sempre disse que nunca me mudaria do Brooklyn, mas assim que vi o espaço, eu me apaixonei fortemente. E então o universo, mais uma vez, me desafiou assim como os ultimatos bobos que fiz em minha cabeça. Alguns dos outros inquilinos estão lá há 40 anos, então eu estarei em excelente companhia.

 

7. Quando estou feliz eu ouço… Triste, brava, trabalhando…

The Flaming Lips, The Rolling Stones and Simon and Garfunkel sempre estão frequentemente entre as músicas de meu trabalho. Quando estou triste, eu vou pro lado de Joni Mitchell e Fleetwood Mac, que parece docemente nostálgico. Se estou brava… eu provavelmente não estou ouvindo música, mas sim pisoteando por aí e descontando em meu trabalho! Eu também sou uma grande ouvinte de NPR, particularmente This American Life. Eu costumava ouvir no carro de meu pai quando era pequena, e continuo amando. Eu adoro uma boa storytelling.

 

8. Qual é a frase que você tem como filosofia de vida?

“O que mais importa é a maneira que você anda através do fogo” – Charles Bukowski

 

9. Nós vivemos em uma era de consumo efêmero; como você implementa alternativas sustentáveis em seu dia a dia?

Existem algumas poucas maneiras de fazer isso. Primeiro de tudo, eu não uso fábricas. Tudo é produzido em meu studio com meus assistentes – não existe fonte na China ou Índia, nenhuma linha de produção. Minhas mãos tocam cada peça, e as mãos escrevem cada etiqueta. É uma maneira bem mais lenta de fazer negócio, eu produzo bem menos peças que meus contemporâneos, mas para mim é uma maneira melhor de trabalhar. Nós fazemos menos e, na verdade, encorajamos nossos clientes a comprar menos, e comprar melhor e usar para sempre. O tempo e o cuidado colocados em cada peça significa que vão durar mais – costuras bem feitas e finalizando a mão – a ideia é usar para todas as suas aventuras e dar para sua filha um dia. Porque cada peça é única, você não se verá indo e vindo e as roupas em menos tendência, o que significa que elas não ficarão ultrapassadas em um mês ou dois. Eu também uso muitos materiais vintage e roupas antigas e colchas em meus trabalhos, dado aos tecidos uma segunda vida – tudo, de colcha Amish a vestidos antigos Liberty. Uma vez eu fiz uma jaqueta com uma capa de edredon de linho MUITO antiga, com rasgos e manchas e ainda tinha penas saindo dele! Eu amei essa peça.

 

10. Qual é a marca que tem passado de geração em geração em sua família?

Tem umas duas. Borsalino Hats, em particular, vem à mente. Meu pai sempre usava um chapéu – meus colegas de escola pensavam que ele era um detetive! – assim como meu avô, e eu sou muito parcial com um chapéu – e muito leal à marca Borsalino. Eu tenho uma coleção grande (alguns dos quais eu posso ter roubado de meu pai ao passar dos anos!) e meus favoritos são um de pele de castor roxo e um larga com estampa de leopardo com uma pena. Eu gosto ainda mais de chapéus quando eles ficam mais desgastados, um pouco mais romântico. Quando eu era uma menina mais nova, eu admirava tanto a minha avó em seus vestidos e caftans incríveis Emilio Pucci. Quando ela faleceu, eu tive sorte o suficiente de herdar algumas dessas peças sublimes. Eu usei muito elas – tudo desde um vestido de seda com hortênsia rosa e turquesa, até uma camisa laranja, rosa e lavanda, e um vestido ceruleano turquesa. Eles são como obras de arte, e quando os visto eu me sinto canalizando o glamour casual dos anos 70 da minha avó.

 

11. Você disse que cresceu em Nova York, se mudando para Hong Kong e Londres antes de se mudar de volta para a cidade. Qual delas você mais se identificou? Ou elas se complementam?

Todos esses lugares estão enraizados em diferentes momentos no tempo, partes de mim, fazendo capítulos de minha história. Eu fui criada no estado de Nova York, na pequena cidade do lago de Cazenovia, com meus três irmãos mais novos, correndo livremente no espaço aberto. Eu continuei no internato em Connecticut quando era adolescente, e enquanto eu amava a escola, eu realmente não me adaptei a Connecticut – eu queria uma grande aventura, e acabei chegando em uma universidade na Escócia. Estar na Europa foi como estar novamente em casa – minha educação era rica em viagens com uma família francesa, e então eu me senti muito confortável lá. A riqueza da história e a idade dos prédios era tudo muito atraente – uma das razões pelas quais eu amo tanto Londres. Há um legado e uma herança que você pode sentir. Eu me mudei para Londres depois da graduação, e uma loucura do destino me fez me apaixonar e seguir esse amor até Hong Kong quando eu tinha 24 anos. Eu nunca estive na Ásia, mas eu me senti tentada pela aventura. Foi como chegar em outro planeta. Por 3 anos eu vivi lá com meu namorado da época e com nosso cachorro, viajei e explorei. Abriu completamente meus olhos – Hong Kong era frenética – e eu explorei mercados de tecidos e comi coisas deliciosas e maravilhosas e conheci todo tipo de gente. Minha mãe descreve Hong Kong perfeitamente – é como se os Flintstones encontrassem os Jetsons – escadas rolantes ao ar livre com comprimento de três milhas e calçadas que se movem, arquitetura futurística convergindo com moradores arrumando pedras e vendendo frutas, cuspindo na rua. Realmente foi a aventura perfeita para meus 20 anos. Quando retornei para Londres, meu relacionamento terminou, e outra existência se abriu. Eu me fixei em Nothing Hill e trabalhei na Portobello Road, que foi a vila mais charmosa e bonita que alguém poderia esperar em uma cidade. Eu comecei a andar com esses ciganos que eram como personagens de Dickens da vda real. Eles costumavam trocar tecidos antigos pelas roupas deles costuradas e arrumadas. Eu aprendi tudo sobre kantha e suzani e boro japoês e Indigo com eles, e realmente me apaixonei por coisas antigas, imperfeitas, que contam uma história. Naquele ponto, meu trabalho realmente começou a aparecer pra mim – eu estava criand coisas que realmente refletiam como eu estava me sentindo, que contavam uma história. Eu não estava ligada a ninguém ou alguma coisa e me sentia muito livre. Eu amei essa vida, mas aparentemente Nova York estava esperando por mim. E vim de Londres para uma visita e acabei ficando – meu trabalho começou a realmente voar aqui, e os negócios floresceram. Eu acho que precisei viver tm todos esses lugares para sobreviver aqui, e eu amo Nova York por ser tão boa pra mim, por prover tanto com tantas oportunidades. Isso responde à pergunta? Todos esses lugares e fases da história, partes de mim, que definiram meu trabalho e quem eu sou. Eu não acho que poderia ter pulado nenhum dos capítulos.

 

12. Qual é o lugar favorito para o qual você viajou? (ou os top 3 se não conseguir escolher um)

Eu não consigo dizer um só! Eu tenho um lugar em meu coração para a Tailândia. Quando eu morava na Ásia, frequentemente eu viajava pra lá. Essa selva exuberante e a praia intocada em Phuket, e Bangkok é uma de minhas cidades favoritas, porque parece estrangeiro e acolhedor ao mesmo tempo. Marrocos também está no topo de minha lista – a primeira vez que fui pra lá, foi como visitar uma memória, eu me senti estranhamente em casa. As cores! Os azulejos e tapetes! Os burros! Até os homens no souk me chamavam de Fatima. Eu decidi que deve ser parte de uma das minhas vidas passadas que me fez evocar uma memória sensorial tão forte. Se eu poder escolher apenas mais uma, então tem que ser Toscana. A melhor época eu passei em Lucca, onde a maior pergunta é “o que tem para o almoço?”.

 

13. O verão está logo aí. Qual é seu cocktail favorito? Qual restaurante o faz da melhor maneira?

Eu não sou muito uma pessoa que gosta de cocktail. No verão eu gosto de Prosecco com muito gelo, preferencialmente no sol. Apesar que Wayland faz uma margarita irresistível com mescal.

 

14. Qual é seu refúgio de verão favorito?

Eu cresci nas praias de Block Island, que era bastante rústica e intocada – quase metade da pequena ilha é protegida pela natureza, então não há cadeias de lojas e muitas construções não são permitidas. Era apenas pés descalços e bicicletas e grandes ondas e penhascos. Quando fui ao Hamptons pela primeira vez, eu fiquei tão chocada por ver tantas pessoas lá e como todo mundo se vestia de forma chique! Aquilo, pra mim, não são férias. A ilha Block tem mais população agora, mas continua sendo meu ponto favorito no verão, com tantas memórias de pular em ondas e viver lentamente e de forma simples.

 

15. Quais são suas galerias de arte preferidas em NY?

É engraçado, eu não faço parte da gallery scene tanto quanto eu fazia antes – talvez pareça parte de minha vida antiga, quando eu tinha tantas obrigações conectadas com meu trabalho. Eu acabo frequentando mais museus. Eu posso ficar feliz me perdendo a qualquer dia no MOMA e no Guggenheim, apenas andar naquela estrutura é sublime. Eu também gosto de estudar artefatos no Met e entrar nos espaços cavernosos – particularmente no jardim escultural. Isso sendo dito, eu gosto de ir na Rebecca Hossak Gallery porque ela é uma das muitas artistas que eu costumava representar na galeria em Hong Kong, então é como visitar amigos antigos. I também descobri fibras Sri esse ano, que é a coleção mais fantástica de tecidos japoneses no Brooklyn. Eu poderia passar horas (e passo) luxuriantes nessa coleção lindamente curada, onde eu tiro da fonte muito materiais.

 

16. Qual é(são) seu(s) artista(s) preferido(s) atualmente?

Tem muitos que admiro – na verdade eu comecei a produzir roupas enquanto estava em busca do meu MA em História da Arte, quando eu deveria estar escrevendo minha dissertação no The Bohemians of Post-War Paris. Eu estava estudando essas imagens de Giacometti e Kahlo e Breton e pensando o quanto suas roupas eram incríveis! Alexander Calder, Robert Rauschenberg, Juan Miro, Richard Avedon e Picasso são meus favoritos do passado. Na esfera contemporânea, meu grande amigo e colaborador, Antoinette Wysocki, é o melhor pintor expressionista, nós trocamos mensagens sobre o que estamos trabalhando para feedbacks diariamente. O trabalho de Peter Beard me leva para a lua. Eu também sou uma grande admiradora do arquiteto Thomas Heatherwick – ele realmente vê o mundo de uma forma diferente, e suas estruturas evocam maravilhas da infância em mim.

 

17. Nos conte um de seus guilty pleasures.

Eu tenho muitos prazeres, mas eu realmente não me sinto culpada sobre eles! Vinho tinto, um bom café, um bom pão e chocolate. Ter um dia inteiro com zero interrupções para criar em solidão. Lençóis fantásticos.

 

18. O que te deixa de bom humor automaticamente?

Passar um tempo com meus três irmãos. Nada é melhor quando estamos juntos. Eu espero que eles sejam minha família em todas as minhas vidas futuras.

 

19. Se você pudesse dizer uma coisa a uma pessoa de 15 anos, o que seria?

Prepare-se para aventuras.

 

20. O inevitável: você poderia compartilhar alguns de seus lugares preferidos em Nova York?

Bohemian – o restaurante secreto mais legal com a comida japonesa mais divina.

Balthazar – Onde ir quando você quer se sentir como uma rainha e comer o melhor steak tartare e fingir que está em Paris.

Estela – Os mais deliciosos e aconchegantes pratos para dividir.

Wild Air – Tapas fantásticas.

Sel Rose – Melhor lugar para drinks noturnos em clima ameno. Você quase pode fingir que está em Veneza.

Kiki’s – meu polvo favorito.

Union Market – Quando não estou costurando, estou cozinhando! Esse é meu mercado favorito que tem todos os básicos e comidas especiais, como samambaias e lichias e os peixeis mais frescos. Não é muito grande ou cheio de coisas, apenas perfeitamente editado e curado.

Body Works na St. Marks – Lucy faz a melhor massagem chinesa. Ela não fala inglês, mas tem mãos realmente curadoras e intuitivas.

Yoga to the People (St. Marks) – Sem espelhos, sem pretensão, comunidade de Yoga com base em donativos que é minha prática favorita na cidade.

Tabwa – A loja mais incrível com tecidos novos e vintage, coletados na Índia, África e além.

Blick Art Supply – A loja para todos os projetos criativos, seja quando estou procurando olhos de taxidermia para lhamas de papel máche que faço por diversão, procurando novas canetas e tintas ou papéis especiais ou pincéis. Eu não consigo sair de mãos vazias!

John Derian – O mundo mais caprichoso de interiores, uma instituição do Lower East Side.

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