O que está acontecendo com as lojas em NYC?

Ph: Courtesy of Nike

Onde vamos fazer compras amanhã? Cada vez mais, “ir às compras” passa a significar se enrolar na cama com um laptop. A compra mais recente da Amazon, a Whole Foods, anuncia que até os supermercados podem um dia se extinguir. Um relatório recente, compilado pela presidente do bairro de Manhattan, Gale Brewer, contou 188 lojas vazias ao longo da Broadway, um dos maiores corredores de compras do mundo. Os booms e as recessões ameaçaram o varejo de diferentes maneiras: por exemplo, um forte mercado imobiliário pode eliminar negócios mais frágeis, pois alguns proprietários podem lucrar mais deixando as lojas vazias do que abaixando o aluguel.

E ainda assim, os New Yorkers às vezes parecem ser engolidos por novos shoppings high-gloss, como se tivéssemos desejos urgentes e constantes pelos mesmos bens de consumo disponíveis em qualquer grande terminal de aeroporto. Passagens subterrâneas conectam o bazar de luxo no World Trade Center Transportation Hub com seu gêmeo na Brookfield Place, o que significa que você pode se vestir para um casamento na praia em Bali, uma reunião em Davos e uma aula de yoga na Costa Rica sem precisar ir a nenhum lugar. Comprar coisas em uma loja pode se tornar uma atividade arcaica em breve, mas enquanto isso não acontece, ainda está se desenvolvendo. Na Hudson Yards, um par de torres de escritório serão juntadas por um shopping vertical multistory que fará com que o Time Warner Center pareça insignificante.

Essa combinação intimidadora e superestimada pode ter um efeito poderoso na vida de rua em uma cidade que sempre foi moldada pelas compras. Na metade do século 20, novos padrões deram forma a uma cidade que estava evoluindo rapidamente. O crescimento de lojas de departamento criou mais movimento nos distritos, alimentados pelo trânsito público. O espírito arquitetônico efusivo da era animou a elaboração de lojas comerciais de vários andares. Mais recentemente, empresas de varejo construíram suas próprias casas – não apenas montando interiores chiques, mas construindo templos de uma única marca, do chão ao teto.

O que resta da cidade térrea quando o varejo se muta em novas formas? Algumas marcas de luxo podem manter suas boutiques. Mas quando os contratos das redes nacionais desistem das localizações físicas, os aluguéis comerciais podem cair, abrindo caminho para o ressurgimento de lojas menores: designer de cookies e spas de pets, mas também lojas de livros usados e sapateiros. Ou talvez apenas bares e restaurantes irão sobreviver.

Entre todas essas tendências conflitantes, a arquitetura do varejo tem, às vezes, resultados felizes. A nova loja da Nike pela BKSK, na Broadway na Spring Street, é um paradoxo: uma estrutura pequena que contém uma loja enorme, que à primeira vista parece que sempre esteve lá. A fachada, que passa de alvenaria para vidro quando se aproxima da Broadway, vira um dos prédios comerciais mais requintados dos últimos tempos.

Cada nova estrutura em Nova York é uma negociação com o passado. Com o prédio da Nike, os arquitetos fizeram sua pesquisa, comprometidos com os rigores de trabalhar em um distrito histórico (e satisfazendo as demandas da Landmarks Preservation Commission). E então, a BKSK conseguiu consagrar o que o tempo corrompe, traduzindo os moldes de folhagem do século 19 em abstrações digitais contemporâneas moldadas em terracota vitrificada. Eles usaram esses detalhes para enquadrar janelas, e transformaram o muro em ornamento, pois a linha horizontal entre cada andar se estreita e torce em seu caminho para a Broadway, terminando como uma faixa de azulejos de terracota.

Por dentro, os arquitetos deixaram espaços abertos, contidos por uma grade de aço, com uma meia quadra de basquete, onde os consumidores podem experimentar os tênis high-tops arremessando com um atleta patrocinado pela Nike. Os corredores podem se exercitar em uma esteira, de frente para uma tela envolvente que os coloca em um Central Park virtual. A cidade real brilha através das janelas. Se grandes lojas geralmente se apegam aos clientes como os casinos pegam jogadores – com luzes artificiais, música, etc – essa continua os lembrando que eles estão comprando em Nova York. A arquitetura mostra que a arte atlética prospera em um habitat urbano, e apesar de um dia servir para um novo inquilino e para um novo uso, oferece um espetacular cenário de compras urbanos, justamente em um momento em que o consumo está se retirando das ruas.

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